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domingo, março 30, 2008

Isto é literatura

Do russo Mikhail Bulgakov conhecia este Margarita e o Meste há já bastante tempo. Já o tenho em casa há anos mas nunca me inclinei para ele. Até que resolvi lê-lo e pontapeio-me mentalmente por o não ter feito mais cedo. Que livro. A história anda à volta da chegada do Diabo a Moscovo e da relação de amor entre Margarita e o Mestre. È daqueles livros que inspirou Murakami de certeza, pois a fantasia é exposta de tal maneira que quase parece possível ser verdade, quase parece possível aquilo acontecer. Mais…se tivermos uma descrição de Margarita à lá Sharapova e se Margarita passar grande parte do tempo nua….percebe-se que deixar a imaginação voar é algo que realmente temos que fazer neste livro. Muito bom, isto é literatura…e da boa. #11

domingo, março 23, 2008

Clássico

O Asno de Ouro, de Apuleius, é um clássico. É a aventura de um mercador que se vê transformado em asno. Pelo meio aparece-nos a história de Psique e Amor e outras tantas personagens mitológicas, como Vénus. Livro que se lê bem e que já merecia uma edição mais recente. #10

domingo, março 16, 2008

Eu, os outros e a forma como eles

Um, Ninguém e Cem Mil de Luigi Pirandello retrata as mudanças internas de Vitangelo Moscarda após um inocente comentário ao seu nariz. A partir desse comentário Moscarda começa a pensar que a forma como ele se vê não é igual à forma como a mulher o vê, que por sua vez não é igual à forma como um amigo o vê e por aí fora….. Dessa forma ele começa a ser diferente a todo o momento e passa a ser uma pessoa nova. Quase que é uma dissertação filosófica sobre o corpo, o Eu e a relação interpessoal este livro de Luigi Pirandello. Lê-se, mas gostei mais dos Contos Escolhidos. #9

sábado, fevereiro 23, 2008

Eis o primeiro

livro do ano que me deixou a sensação de ter sido dinheiro mal gasto. Não gostei muito de Enigma de Qaf, de Alberto Mussa. A história roda à volta do Islão e da língua árabe, entrecortada com pequenas histórias de grandes poetas do Islão. Confesso que fiquei ligeiramente desiludido. #8

domingo, fevereiro 10, 2008

A inexorável marcha do tempo.

Diário da Guerra aos Porcos passa-se em Buenos Aires quando grupos de jovens começam a assassinar idosos na rua, com o consentimento das autoridades. Só esta imagem da luta contra o tempo, contra a morte e o envelhecimento é brilhante. Adolfo Bioy Casares é o autor deste livro irónico, engraçado e magistralmente escrito. É daqueles livros que devia estar em cada casa. #7

sábado, fevereiro 09, 2008

Alfred Hitchcock é o grande mestre do suspense

E é nele que Peter James se baseia, vai buscar inspiração para Despedida de Solteiro. De facto, é quase um plágio. Quatro amigos combinam enterrar o rapaz casadoiro na despedida de solteiro, porém acabam por morrer antes de terem tempo de o tirar de lá. Esta é a premissa da história. Há mais coisas, mas este é o ponto de partida para um bom policial que, estando longe dos melhores, vai prendendo. #6

domingo, janeiro 27, 2008

África tem um tempo diferente

Mia Couto demonstra-o em todos os livros dele. Desde a maneira como (re)cria palavras à forma como mete o tempo-espaço nos seus livros. A Varanda do Frangipani não varia do estilo habitual. Uma árvore, África, o branco desajustado das tradições africanas e do ser, idoso, africano. Livros que se lêem muito bem e que são sempre giros, estes os do Mia Couto. #5

sábado, janeiro 26, 2008

A Herança do Vazio

de Kiran Desai passa-se na região himalaia da Índia e em Nova Iorque. Na Índia vive um antigo juiz, com a neta, o cozinheiro, uma cadela e uma série de vizinhos simpáticos, em Nova Iorque vive o filho do cozinheiro: Biju. A diferença no estilo de vida do juiz com a da neta e da relação desta com um nepalês a luytar pela independência do Nepal e da de Biju é o livro. A forma como Desai a transmite e nos fala de noções como nacionalidade, modernidade, tradição e a angústia da imigração forçada e de como tal nem sempre resvala para uma vida melhor faz a diferença. Muito bom, apesar de se demorar um bocadinho a entrar. #4

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Mais um português

Rodrigo Guedes de Carvalho faz em Canário o livro com assinatura mais pessoal que já li dele. Finalmente vai-se conseguindo afastar de A. L. Antunes e começa a criar um estilo próprio. Canário fala da vida de um presidiário, de um escritor, da mulher do escritor e da filha do escritor…mas acima da tudo fala das vida e de como é sempre tudo a perder. Bom livro. #3

domingo, janeiro 20, 2008

José Luís Peixoto

… escreve muito bem. É um escritor de primeira água. A forma como narra, a maneira como utiliza a repetição a seu proveito, a capacidade de nos prender ao livro e a maneira como exprime a tristeza e a perda são assombrosas. Em Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto ficciona a vida de Francisco Lázaro, atleta português que morreu na maratona dos jogos olímpicos de Estocolmo, em plena prova. E fá-lo muito bem, belíssimo livro que nos agarra e não nos deixa ir embora. #2

domingo, janeiro 13, 2008

Ian McEwan

Ian McEwan é um escritor no total das suas capacidades. A capacidade narrativa está como nunca esteve e isso faz com ele crie grandes livros de qualquer história. Na praia de Chesil relata a noite de núpcias de um casal, virgem, com muitas ilusões e enormes medos. Mas relata também a história e vivências de cada um deles até chegarem àquela noite. A diversos graus de espessura e a lucidez de McEwan é incrível e isso transforma um livro num belo romance que vale muito a pena ler. #1

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Últimos livros de 2007

Que dizer deste livro assombroso. Deli, de Khushwant Singh,é a história de um jornalista indiano que tem um relacionamento com uma hermafrodita e faz biscates como guia turístico nos capítulos impares e da própria cidade, dos acontecimentos da sua história e dos actos que a marcaram, nos capítulos pares. Assim, encontramos histórias de sultões, princesas, eunucos, do relacionamento entre muçulmanos – hindus – sikhs, do Taj-Mahal, de Gandhi, sei lá…. Assombroso, é a palavra que me vem a cabeça. #58


Estrela Distante é de um escritor chileno, Robert Bolaño, e fala das atrocidades de guerra cometidas por um rapaz que o autor e uns amigos conheceram em grupos de poesia. Quando acabei o primeiro capitulo disse para mim: porra!, mas depois o impacto e a crueza do livro vai diminuindo e apenas no fim volta a ganhar força. Uma surpresa para acabar bem o ano. Sendo que Deli….é (muito, muito) melhor que este. #59

sábado, dezembro 22, 2007

Dois livros

Harry Potter, J.K.Rowling, claro!!! que tinha de acabar a saga depois de ter lido os outros todos. Li o raio do livro em 3 ou 4 dias. Tive a sorte de não saber o fim antes de o ler por isso, não vou dizer mais nada. #56

Paralelamente a Potter li Um Mundo de Estranhos, de Nadine Gordimer, Mais uma vez ficou aquém do que esperava e do que encontrei em Um Capricho da Natureza. Neste livro Gordimer aborda a situação privilegiada dos brancos na altura do apartheid, assim como as relações inter-raciais e mitos do colonialismo. Confesso que espera ligeiramente mais, mas já percebi que Gordimer, para mim, não é muito consensual, apesar de as vezes a achar absolutamente brilhante. #57

domingo, dezembro 16, 2007

Tratem-me por Ismael

Assim começa Moby Dick, de Herman Melville, a saga épica do capitão Ahab e do seu relutante e oposto primeiro-oficial Starbuck. História maravilhosamente contada, cheia de realismo e de simbolismo transforma Ahab num Hamlet moderno, que condena a alma à procura de algo, a baleia branca. Toda a gente sabe que é dos mais importante livros da história, e não vou ser eu a discordar. Brilhante. #55

domingo, novembro 25, 2007

Regresso ao policial

Segredos Imorais foi o livro que me trouxe de volta aos policiais. Confesso que não me maravilhou muito. O livro começa bem mas depois dá a sensação que o autor, Brian Freeman, não sabia bem como o terminar e resolveu embrulhar o fim e o final torna-se algo atirado para o ar….e não algo que faça sentido na totalidade da história. #54

sábado, novembro 24, 2007

Afinal há uruguaios com qualidade

Livro que foi um tremendo sucesso, a Casa de Papel, de Carlos María Domínguez, fala sobre livros, sobre paixão por livros e de devoção a livros. É a história de como os livros dominam a vida de coleccionadores e amantes, contudo não é bem a história que fascina, mas sim a forma como o uruguaio Domínguez conta a história. Em poucas páginas escreveu um grande livro. #53

sábado, novembro 17, 2007

Contos...

…duros e cheios de tensão é o que nos traz Um bom homem é difícil de encontrar, de Flannery O’Connor. Um livro genial que retrata e cria na nossa imaginação de forma quase perfeita os estados do Sul e, em alguns contos, a escravatura. Incrível livro de um génio que morreu demasiado cedo. Escrita que mexe e que perturba pela força com que as imagens criadas entram e ficam na nossa cabeça. Brilhante. #52

domingo, novembro 11, 2007

É pá, foi duro

Acabar O País das Peles, de Júlio Verne. Volta e meia volto a Verne para desanuviar da literatura pesada e sempre acabo por gostar. Mas, desta feita, foi mau. O livro nunca me entrou no esquema e acabei por detestar o livro, demorando, o que me pareceu anos, a acabar de o ler. #51

Ps – infelizmente, não há capa na net.

sábado, novembro 10, 2007

É sobre Ovídio

que Uma Vida Imaginária, de David Malouf, fala. Sobre o exílio, ordenado por Roma, numa aldeia esquecida do mundo onde ele não fala a língua e não se coaduna com os locais. Aqui Ovídio começa uma segunda vida na comunhão da civilização com a natureza. Livro de espantosa inteligência e imaginação que se lê numa penada, que se aconselha e que se sabe…se vai voltar a ler. #50

domingo, outubro 28, 2007

Jhumpa Lahiri...

...escreve bem. Esta indiana que espantou o mundo literário com os contos de Intérprete de Enfermidades, voltou, agora com um romance. O Bom Nome é daqueles livros que se lê sem pausas, de forma fluida devido, sem dúvida, à mestria da autora. Contudo, por vezes parece haver algum vazio emocional no colar das diversas vivências das personagens, especialmente depois do facto marcante da vida de Gogol, e isso quase transforma o livro numa história de família típica. Não é tão bom como o Intérprete mas não deixa de ser um belo livro que se devora…é o mal das expectativas altíssimas. #49