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domingo, março 16, 2008

Barbara Hepworth

Esta obra quase parece que pode ser encontrada em qualquer praia de qualquer país. Sobre mármore estas peças de forma simples criam uma harmonia e equilíbrio que ajudam a contrariar a desarmonia e o caos do dia a dia. Gosto destas formas simples e da forma como rapidamente atraem o nosso olhar.

sábado, fevereiro 23, 2008

Duane Hanson

Queenie, 1925

Uma serena mulher de limpezas encontra-se parada, imóvel. Queenie é só mais um elemento desgastado, usado e cansado da classe mais baixa de trabalhadores, da classe operária. Esta figura escultura hiper-realista é, depois de concluída, colocada junto a objectos seleccionados, como o espanador e as esponjas. Numa galeria, acredito que confunda as pessoas, será real ou não?! Muito engraçado.

domingo, fevereiro 10, 2008

Philip Guston

Cabeça, 1975

Uma cabeça enorme, sem boca e só com um olho é impressionante. Faz lembrar um daqueles desenhos de BD em que a figura não tem que estar completa e aparece desmembrada. Guston fá-lo muitas vezes, metendo membros a fumar, beber e a guerrear uns com os outros. A simplicidade do resto do quadro só serve para conseguir o objectivo pretendido. Como, quase sempre, o simples é o mais difícil de alcançar e o mais engraçado. Gosto muito.

sábado, janeiro 26, 2008

Antony Gormley

Uma Caixa Para um Anjo II, 1990

As gigantes asas só podem fornecer liberdade. Só podem. Contudo, de tão grandes, ficam a bater nas paredes, e dessa forma, não pode voar. Contudo é o equilíbrio entre as grandes asas e a figura, criada a partir do próprio Gormley, que encanta. Equilibro quase perfeito que é difícil de alcançar. Muito bem

domingo, janeiro 13, 2008

Felix Gonzalez-Torres

Sem Título (EUA hoje), 1990

Sem Título (EUA hoje) consiste num monte de coces encostado a um canto de uma galeria de arte. Os visitantes podem, e são convidados, a retirar alguns e desta forma, com o autor a dar algo as pessoas que o vêm ver o processo inverte-se. Quantas vezes se vai a uma galeria para receber algo? Existe uma espécie de comunhão entre o criador e o publico. O monte é reabastecido diariamente o que torna este processo ilimitado e sem fim. Esta subversão da relação entre a arte e o observador é muito bem conseguida. Muito bom.

domingo, janeiro 06, 2008

Andy Goldsworthy

Uma fila de folhas de ácer vermelho flutua no riacho de uma montanha…e está feita arte. Temporária, é certo…mas arte. Goldsworthy envolve-se com os recursos naturais para demonstrar o efémero e o tenso equilíbrio entre a Natureza e o homem. Devido ao tempo limitado das obras estas acabam por ser registadas em fotografia, como é o caso desta. Muito giro.

domingo, dezembro 16, 2007

Eric Gill

Um homem e uma mulher abraçam-se em êxtase(?). Este trabalho em pedra apresenta formas tão simples que quase parece não terem sido criadas em formas pesadas, em pedra, e isso parece-me o factor que torna esta obra muito boa. Criador de inúmeras obras para a Catedral de Westminster, Gill foi muito criticado na fase anterior à guerra pelas suas obras sensuais e eróticas, apesar de serem diferentes de tudo o que havia na época.

sábado, novembro 24, 2007

Pablo Gargallo

Feita de cobre, esta estátua de uma bailarina tem uma dimensão muito leve e dinâmica. Para cobre parece um material plástico e maleável e isso deve-se, sem dúvida, à mestria do escultor. Trabalhando essencialmente com bronze, cobre e metal consegue estas figuras leves cortando as folhas dos materiais muito, muito finas.

sábado, novembro 17, 2007

Gilbert & George

A minha primeira exposição de arte contemporânea foi destes senhores. No CCB, numa manhã há imensos anos atrás. Lembro-me de ficar impressionadíssimo com Wu e com a forma como eles abordavam temos como a morte, a vida, a sexualidade e a religião com coisas comuns e coisas estranhíssimas (Ex- fezes, lembro-me de ver uma cruz com fezes de pombo…aliás, eles têm toda uma série chamada merda nua). São incríveis e brilhantes.

sábado, novembro 10, 2007

Katharina Fritsch

As esculturas de Fritsch são um misto de humor e coisas familiares e comuns (homem na cama, ratos, guarda-chuvas), mas que são acompanhados por sensações de desconforto e, ligeira, ambiguidade, quer pelo tamanho gigante, quer pela presença de ratos. O confronto entre a realidade do homem a dormir e a fantasia de um rato confortavelmente sentado em cima dele é meio ansioso, porém humorístico. Gosto.

sábado, setembro 08, 2007

Eric Fischl

Eric Fischl, Bad Boy, 1981

Um miúdo olha a mãe (?), nua de pernas abertas, enquanto tem a mão enfiada na carteira, roubando a mãe. O simbolismo sexual da carteira é evidente e a atmosfera sexual criada pela luz que entra pelas frestas completa o simbolismo erótico da cena. Sem dúvida perturbador para quem olha, a nossa posição de voyeur, face ao Édipo e a séculos de tabus e cenas escondidas por portas fechadas, transforma este quadro em algo inquietante de se ver. Muito bom.

sábado, agosto 04, 2007

Paul Devaux

Este estilo que liga o clássico, o contemporâneo e o sonho, parecendo Margritte, agrada-me. Devaux, um surrealista, junta e recria a narração de algo com a atmosfera dos sonhos. Também é conhecido pelos nus femininos que incorpora nos climas obscuros e sorriais dos sonhos…mas não por mim (excepto quando os nus estão incluídos nestas atmosferas estranhas). Eu só reconheço e identifico estes quadros assim meio sonho, meio real.

quinta-feira, julho 12, 2007

Hoje...um sol!!!

Mark Rothko, Orange Or et Rouge, 1957

sábado, junho 16, 2007

Christo (não, não é engano)

Christo e Jeanne-Claude, Costa Embrulhada, 1969

Tapar com tecido e corda e chamar a isso arte moderna, arte do século XX e XXI. Contudo, a verdade é que, ao embrulhar o espaço físico escolhido para ser embrulhado (parlamentos (reichstag), áreas costeiras…) cria-se uma curiosidade natural e encoraja as pessoas a olhar as coisas de modo diferente para os locais escolhidos. Arte é o que nós quisermos.

domingo, abril 15, 2007

Caraças, que bom!!!

Sophie Calle, Os Cegos, 1986

A fotografia da pessoa, a definição pessoal de beleza, a fotografia da beleza escolhida. Simples. A ideia torna contornos grandiosos se pensarmos que as pessoas fotografadas são cegas. Assim, percebemos que é a vida interior, imaginária, mas pessoal que está a ser transformada em arte. As respostas estão carregadas de desejos, possibilidades nunca antes imaginadas, etc…. Muito simples, muito mais complexo que, quase, tudo.
Ps - No quadro, o que está escrito é: “the most beautiful thing I ever saw is the sea, the sea going out so far you lose sight of it…”

sábado, abril 14, 2007

Cabelos e tripa de porco

Helen Chadwick, Loop My Loop, 1991
Uma madeixa de cabelo louro está enrolada à volta de um intestino de porco! A beleza sensual da loura Vs a repulsa da víscera do porco. É a emoção e a beleza, contra a náusea e a animalidade humana. No limite é a imagem de uma sexualidade reprimida e conturbada. Sim, eu sei.....a formação académica tem um ligeiro peso na interpretação que aqui faço.

terça-feira, abril 10, 2007

Turner (#19)

Menino fino e rico, habituada a andar no mar. É um prodígio da pintura, começando bem cedo a desenhar. Mais tarde é inovador no conceito de não existir qualquer efeito de perspectiva que não seja o efeito da cor em si.

Turner, Incêndio da Casa dos Lordes e dos Comuns, 16 de Outubro de 1834, 1835


Na fundação Gulbenkian já esteve uma exposição, curta, com alguns quadros e muitos esquissos. Nos quadros, quase todos de grande tamanho, percebe-se na pintura que o pormenor é uma coloração alterada, é um manchar deliberado onde tanta cor usurpa completamente a noção de espaço, onde está o primeiro plano, o centro e o fundo….apenas a cor. Só a cor.

Turner, Navio Incendiado(?), 1826-1830

Turner, Navios no Mar, 1835-1840



No meu quadro preferido dele quanto mais se olha para ele, mais interpretações existem (em baixo areia, depois mar, e céu ; ou só um vale cheio de neblina visto de uma montanha…). A própria estrutura da cor muda consoante a interpretação, e esse aspecto de mudança dá ao quadro uma vida, totalmente inesperada, tendo em conta a, aparente, simplicidade.


Turner, Começo da Cor, 1819

Em resumo; é a cor que dá ao todo um ambiente geral, é a cor que é a protagonista, os objectos são apenas papéis secundários.

Turner, O Aguerrido Rebocado até ao seu ùltimo Pouso para ser Desmantelado, 1838

Turner, Pescadores no Mar, 1796

quarta-feira, março 28, 2007

Hoje é o amanhã que te prometeram ontem

Victor Burgin, Hoje é o amanhã que te prometeram Ontem, 1976

Sobre uma rua feia, numa cidade que se adivinha feia, um poema fala do paraíso. O poema, choca com o enfado, com o fim da esperança e dos sonhos que vêm com a vida monótona em qualquer uma, todas?, das cidades que ali estão representadas.

"The early Morning Mist
dissolves. And the sun shines
on the Pacific. You stand like
Balboa the conquistadore.
On the cliff top. Among the last of
the Montert Cypress trees.
The Old Whaler's hut is abandoned now.
But whales still swim through the wild waves.
Sea otters float on the calmer waters.
cracking abalone shells on their chests.
Humming birds take nectar from the red hibiscus.
Pelicans splash lazily in the surf.
Wander down a winding path. Onto gentle sands.
Ocean crystal clear. Sea anemones. Turquoise waters.
Total immersion. Ecstasy.

Today is the tomorrow you were promised Yesterday."

domingo, março 18, 2007

A letra: A

Joan Brossa, Lavor, 1978

Só o A, desprovido do resto das letras que poderiam criar uma palavra. Neste caso, a palavra seria Labour. Ficou só o A. Ainda ligado às agulhas e, desta forma, sozinho, toma todo um significado diferente: será o inicio do abecedário, parte de uma palavra, só uma letra.....de repente, o simples facto de a letra estar ali transforma o familiar, uma letra, o A, numa coisa estranha, numa coisa que pode ser qualquer coisa: até uma obra de arte. É o atribuir ao convencional o estatuto de arte. É o recusar da finalidade habitual dos objectos (é o urinol de Duchamp…)

domingo, março 11, 2007

Pássaro

Constantin Brancusi, Pássaro no Espaço, 1927

É a redução ao essencial que me agrada aqui. As curvas e a forma aerodinâmica dão a ideia exacta do que o artista pretende: um pássaro a levantar voo, um pássaro no espaço.