quarta-feira, novembro 29, 2006

Para todos os Hush Puppies deste mundo….

Que sem dúvida mereciam uma música melhor. Esta é, porventura, das piores músicas que alguma vez vou meter aqui no blog. Só o karaoke em espanhol, salva esta canção e este ritmo…


No Doubt, Don’t Speak

Inevitavelmente

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição.

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as palavras de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito alem do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever de falar

Mário Cesariny, You Are Welcome to Elsinore

terça-feira, novembro 28, 2006

(Também) Adoro isto

É uma daquelas músicas que se ouve uma vez e trau, já está. Volta e meia vem-me o refrão à cabeça e lá dou por mim a cantarolar. O facto de ser a segunda música seguida, que coloco, com a parceria de Thom Yorke... deve ser, é de certeza!, pura coincidência. É ouvir, e ouvir, e ouvir...


Drugstore & Thom Yorke, Kill The President

Entre Inimigos


Gostei muito. É um daqueles filmes que rapidamente se podia tornar no “ O Bom afinal é mau, mas no final é bom, porque o Mau é que é mesmo mau e o Bom é só um bocado mau porque a irmã do Mau transforma-o em bom” mas não é, Scorsese aguenta muito bem o filme no limite e tudo é perfeitamente compreensível. É um filme seco, sem artimanhas, realista e bruto em que as personagens estão sempre no limite, estabelecendo relações de amizade, muito, agressivas umas com as outras. Di Caprio é fabuloso (desde que “anda” metido com Scorsese cresceu imenso como actor), Damon, Sheen e Wahlberg, estão muito bem, Nicholson é o diabo em pessoa e Vera Farmiga, que não conhecia (acho eu) é uma surpresa enorme, bela actriz (e não estou a falar dos olhos…) com um desempenho notável. Excelente. Não há muito mais a dizer. Excelente!!!!

segunda-feira, novembro 27, 2006

Um mestre...


Livro publicado em 1977 que chega a Portugal…28 anos depois!!! E só chega porque Coetzee venceu o Nobel há alguns anos, caso contrário, nunca o íamos ver/ler. É dos livros mais fortes que já li dele (e já li alguns). Coetzee tende a ser desconcertante, com diálogos curtos e duros, mas neste livro chega a ser violento. É um livro que transmite, pela personagem principal, uma sensação de solidão avassaladora. O livro é sobre uma branca na África do Sul, uma mulher virgem, velha, escanzelada e só, que vive com o pai e com criados (e sim, no meio da solidão). É palpável o sentimento. È daqueles livros que queremos parar de ler porque não gostamos o que ele nos está a dar…mas não paramos de ler. Cru, violento e triste (na sua solidão) No Coração desta Terra é a confirmação, se fosse preciso, que Coetzee é um mestre e um dos meus escritores preferidos. Brutal.

A mulher de touca que vejo no espelho e que olha para mim, a mulher que, em certo sentido sou eu, há-de definhar e morrer aqui no coração desta terra (…)”.

domingo, novembro 26, 2006

Protesto / Lamento

Por diminuição do orçamento do Ministério da Cultura e consequente diminuição do orçamento do CCB a festa da música, como a conhecemos, acabou. Haverá uma coisa mais elitista de concertos de piano a que se chamará: dia da música. Sobre este assunto quero dizer o seguinte:

1 – Que o orçamento da cultura baixe para o dinheiro ser encaminhado para outros assuntos prementes ao país, não tenho nada contra. O que critico é que com o orçamento existente o ministério corte fundos ao CCB e continue a dar dinheiro para o “Museu Beraldo” (eliminando desta forma, por falta de dinheiro, toda e qualquer hipótese de Portugal fazer parte do circuito das exposições, realmente importantes [Frida, Rau, etc…] itinerantes) ou continue a fundear o museu do Côa (pois, pois…) e o CCB, que está sempre cheio e bate recordes de visitas às exposições todos os anos, perca dinheiro. Para mim, é uma vergonha

2 – Que Mega Ferreira tenha cortado, com o pouco dinheiro que tem, a Festa da música é uma decisão miserável. Que tal cortar na temporada lírica ou de música a preços impossíveis, aos quais só vão melómanos com dinheiro? Porquê cortar logo na única possibilidade que as pessoas comuns têm de assistir a música clássica a preços acessíveis?!? Para mim, é uma vergonha e este é o meu protesto.

3 – A festa da música acabou. Este é o meu lamento.

The Legends ou Interpol?

No reino da música nova que por aqui se vai ouvindo a grande novidade são os The Legends. Foram a banda nova que ouvi e que mais me agradou. Facts and Figures é um álbum muito engraçado. Também ouvi o Louden up Now, dos !!!, o Feels, dos Animal Collective, Grace, de Jeff Buckley (devo ser só eu, mas gosto mais do Sketches…), Red House Painters, o homónimo (confesso que não estava virado para tanta tristeza/melancolia) e o Antics, dos Interpol… Ora aqui nasce a questão. Este álbum dos Interpol também é bem bom e rodou várias vezes no leitor. Que teledisco ponho aqui (dúvidas pertinentes estas, que me assolam!!!)?!? Legends ou Interpol?!? Ponho o que houver no youtube, claro…. Assim, como não há Legends, fica aqui Evil, pelos Interpol.


Interpol, Antics, Evil

É pá, já chega…

As lesões do Miccoli já me andam a irritar. O raio do homem está sempre parado. Os próximos jogos são Sporting e Manchester United fora e… toma lá mais uma lesão que já estás a jogar demasiadas vezes seguidas. Mas pior que isso é o substituto: Mantorras. Um podre por outro podre. Isto está bonito, está.

Mais uma coisinha sobre desporto: porquê que não há nenhuma televisão (Sporttv ou Eurosport) a dar o Mundial de vólei?!?

Porque o Bond quase morreu lá (O mundo não Chega)...

e porque me apetece...




quinta-feira, novembro 23, 2006

Adoro, ADORO!!!, isto

Como tal, não resisto a meter aqui esta pérola, com vídeo de Mulholland Drive. PJ Harvey & Thom Yorke. Que bom, que bom!!! Magistral.


PJ Harvey, Stories From the City, Stories From The Sea, This Mess We’re In

Camões

Pois meus olhos não cansam de chorar
Tristezas, que não cansam de cansar-me;
Pois não abranda o fogo em que abrasar-me
Pôde quem eu jamais pude abrandar;

Não canse o cego Amor de me guiar
A parte donde não saiba tornar-me;
Nem deixe o mundo todo de escutar-me,
Enquanto me a voz fraca não deixar.

E se em montes, rios, ou em vales
Piadade mora, ou dentro mora o Amor
Em feras, aves, plantas, pedras, águas,

Ouçam a longa história de meus males,
E curem sua dor com minha dor;
Que grandes mágoas podem curar mágoas
(Luís de Camões, Sonetos, Pois meus olhos não cansam de chorar)

Falta um bocadinho assim


para Rodrigo Guedes de Carvalho se libertar de António Lobo Antunes. Quando o fizer será melhor escritor do que é agora. Já se percebe que consegue criar e contar bem uma história, que tem óptimas ideias, que descreve bem a intimidade e que a narrativa é algo com que joga bem, não se limitando a despejar a ficção. Mas ainda tem alguns tiques da principal influência (o segundo mês/capítulo está na fronteira do plágio). Este A Casa Quieta é um livro muito giro que nos deixa contentes por termos conhecido o Salvador e a Mariana. E isso é sempre bom. Há é que dar o salto….

Coisas...

1 - Eu cá não sei bem, porque não me costumam doer coisas, mas acho que o Nimed funciona!!!

2 - Não deixa de ser tramado o Sporting ganhar ao Inter em casa, empatar em Moscovo e em Munique, estar a fazer uma bela liga dos campeões e..... está eliminado (já para não falar das duas lesões em 5 minutos). Também quero dizer que gostava que o Barcelona fosse eliminado pelo Werder Bremen.

3 - A Anatomia de Grey anda a entrar-me no goto. Irrita-me a vozinha da Grey, mas está a entrar aos poucos.

4 - É cruel para o Benfica andar a golear os coxos que lhe calham à frente na Liga dos Campeões para depois ver o Manchester United lixar tudo, ao perder dois jogos seguidos. Isto de ser do Benfica, de andar de três em três, de nunca saber o que esperar da equipa não pode fazer bem ao coração.

5 - Era só isto.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Há algum tempo que não fazia destes: livro e música


A Biblioteca do Geógrafo, Jon Fasman. É o livro que acabei nos últimos dias. É um daqueles livros que prende, prende e depois começa a esmorecer no entusiasmo. Nunca explode, fica sempre ali a sensação que um grande escritor tinha feito algo muito melhor com este enredo. Assim…leu-se, encosta-se à estante e segue-se, que já está outro a caminho. É engraçadinho…



No campo do som, tenho-me fartado de ouvir coisas novas. Desde DK7, Disarmed, com umas atmosferas meio malucas; a Bruce Springsteen, Devils & Dust, menos chato que pensava; a The Faint, Dance Macabre, muito engraçado, com sons estranhíssimos e uma voz muito forte; a Beirut, Gulag Orkestar, com a estranhíssima sensação que gostei muito do álbum sem adorar nenhuma das músicas e Nine Inch Nails, With Teeth, o melhor dos cinco que ouvi. Já tinha um álbum deles, muito antigo, e, confesso, que não esperava muito deste regresso. Mas surpreendeu-me, achei o disco muito, mas mesmo muito giro. Está a tocar muitas vezes no meu cd. Assim, resolvi pôr aqui o teledisco da que, para mim, é a melhor música do álbum. Aqui está...


Nine Inch Nails, With Teeth, The Hand That Feeds

domingo, novembro 19, 2006

Ai, ai, ai


Alguém me explica porquê que deixou de dar a Invasão, para dar dois episódios da Anatomia de Grey…repetidos?!?! Só faltam 7 episódios, custava muito manter o horário? Parecem meninos com brinquedo novo.

O Ilusionista ou


o Edward Norton é muito bom e é parecido com o Carlos. O filme é sobre um mágico (Norton) que por amor a uma futura imperatriz (Jessica Biel) enfrenta o poder de Viena, na figura do seu inspector-chefe da polícia (Paul Giamatti). É um bocado sobre a fronteira ténue da realidade e magia, e os truques lá aparecem são bem giros. No final tem um twist enorme que salva o filme e lhe dá algum sentido, contudo acho que o twist final talvez tenha sido demasiado gráfico, não deixando lugar para preenchermos os espaços, mas no geral gostei. O filme tem um ar elegante e inteligente que nos vai prendendo…e tem Edward Norton.

Fim-de-semana desportivo

Confesso que estou farto de ver o descalabro total do meu Benfica depois de toda e qualquer pausa no campeonato. Ontem aconteceu outra vez. O Quim parecia o pai natal (já saía da baliza, não?!?), a defesa sem o Luisão…., no meio-campo tira-se o Kats e deixa-se o Petit (que erro!!!), no ataque, qual ataque?!? E tudo de um jogo para outro. No tempo do Trapattoni não jogávamos nada, mas ao menos, não jogávamos sempre nada, e já se sabia ao que ia, a equipa era assim. Agora é flutuações horríveis que quando são para o bem…é muito bom, quando são para o mau…é horrível. E vem o nandinho dizer que há coisas que tem de ser faladas no balneário. Eu concordo com ele….o que há a falar é o valor da RESCISÃO DE CONTRATO.

Valeu a vitória do Federer no Masters de ténis (a vitória sobre o Nadal foi particularmente saborosa), caso contrário este fim-de-semana desportivo estava irremediavelmente perdido (então a porra da Académica não aguenta 10 minutos sem sofrer a me*** de um golo e o Marítimo falha um penalti?????!!!!!?????)

quinta-feira, novembro 16, 2006

Mário de Sá Carneiro


Eu não sou eu nem sou o outro,
sou qualquer coisa de intermédio:
pilar da ponte de tédio
que vai de mim para o Outro.


Mário de Sá Carneiro, Poemas Escolhidos (Indícios de Oiro), 7

Que música…que vídeo.

É uma música estranha e o teledisco, creepy, apanha-lhe bem o tom. É o típico Cave, meio demente, com várias músicas dentro da mesma. Aqui temos calma, letras profundas e descargas de energia aparentemente, claro, descontroladas. A letra é poesia negra:” I waved to my neighbour, my neighbour waved at me… but my neighbour is my enemy”, é Nick Cave ao seu melhor. Depois…o teledisco é maravilhoso. Eu queria estar naquela festa, eu queria dançar como aquela gente (e como ele) dança, queria fazer aquelas coisas com as mãos como o Jarvis Cocker (sim, é mesmo ele) e o Cave fazem…raios!!!, eu até queria ter aqueles sapatinhos brancos e fazer aqueles movimentos com os pés. Muito, mas mesmo muito bom. É o caso clássico do teledisco a elevar a música a outros voos. Brilhante.


Nick Cave, No More Shall We Part, Fifteen Feet of Pure White Snow


Ps – Por que raio aparece o Jarvis Cocker?!?... mas que presença!!!!

quarta-feira, novembro 15, 2006

Esmagado


Fico sempre esmagado depois de ler Llosa. Tinha sido assim com o fabuloso A Casa Verde, e foi assim agora com Lituma nos Andes. Sem ter a complexidade narrativa do primeiro que li, Lituma nos Andes mantém uma personagem: o cabo Lituma. Este cabo sai de Piura para as montanhas do Peru. Aqui encontra os Terrucos (Sendero Luminoso), superstições, Tomasito e (re)encontra Mercedez. Pelo caminho ainda fala da Chunga e dos inconquistáveis (míticas personagens d’A Casa Verde). É fabuloso. Merecia o Nobel. Este livro é magistral.

terça-feira, novembro 14, 2006

Gosto

segunda-feira, novembro 13, 2006

Não tem a ver com o espírito do blog, mas….

O referendo ao aborto vem provocar grandes e acesos debates. Sim!, não!, não sair do sofá, não sair da esplanada, por tudo se vai debater. Por mim tudo bem, desde que valha a pena. O que não pode haver é o que transcreverei a seguir. É o asco. O gozar com o debate e com as ideias. É um vómito e está aqui o meu protesto. Para que todos possam ver o que de pior se faz na crónica neste país, com vocês o nojo da crónica de Miguel Soares, de seu nome “interrupção…ou talvez não”:


“Já pensaram na série de abortos que sobrevivem na nossa sociedade, ou porque foram mal feitos, ou porque ninguém os informou que não nasceram? Mas já se afigurou a impedir a vinda ao mundo de uma potencial Soraia Chaves, de uma Bárbara Guimarães, de Liliana Campos ou mesmo de Nayma? E se Ricardo Pereira não tivesse nascido (…)? Por outro prisma, também poderíamos apreciar a ausência de aberrações do género Floribella, Alexandra Frota ou o próprio ministro das finanças.”

“O problema é nunca sabermos o que pode vir à luz, e que monstruosidades transmitiremos à sociedade vindoura (…) se bem que mesmo os criminosos fazem falta, para evitar desemprego na polícias e nos tribunais.”

“ (…) Seria mais prudente ensinar os machos lusos a trepar com qualidade, de forma a que o produto final aparecesse com acabamento genuíno. Por exemplo, a Filipa Gonçalves é uma bonita mulher, mas teve de ser acabada depois de crescer.”

“Todos compreendemos a causa das mulheres que gostam de fabricar para depois destruir, mas também não é justo para um homem que se empenha, transpira, grunhe, faz longas flexões durante…o tempo que pode, para depois não dar em nada, a não ser uma ida à casa-de-banho, um cigarro e um licor beirão. Assim não vale!”



Pois não, assim não vale, com argumentos destes é difícil. Eu sei que não tem nada a ver com música, filme, literatura ou o benfas, mas tinha que colocar aqui este nojo. E paga-se a este tipo de gente. Chiça….

domingo, novembro 12, 2006

Os Filhos do Homem


Julianne Moore, Clive Owen e Michael Caine são os intérpretes principais deste filme de Alfonso Cuáron (o mesmo realizador do brilhante: Y Tu Mama Tambien). No futuro (sempre retratado de forma horrível) as mulheres deixam de ser férteis e o Homem enfrenta a extinção. Este é mote de toda a trama. Depois há uma Moore que aparece demasiado pouco, um Caine que aparenta estar divertidíssimo a fazer o papel de charrado e um Owen que varia entre o adoro este papel e o meio desconfortável naquilo que está a fazer. O filme flutua entre momentos duríssimos e outros de magia plena (o bebé a parar a guerra…sim, eu sei, metáfora de esperança etc., etc. …). A banda sonora começa com Radiohead e vai-se tornando numa mescla de som metálico que ajuda imenso o filme. No fundo, no fundo eu acho que é mais isto: quem acredita que no meio da guerra e da miséria vai sempre haver esperança, quem ajude por ajudar e quem dê a sua vida pela vida de alguém…vai gostar do filme. Eu gostei.

Post sobre música (para variar, claro)


EU queria tanto, mas tanto, ter este álbum. Mas não tenho, é a triste verdade. Estive lá no concerto e quando o CD foi lançado tentei comprar mas já não o encontrei. Desde então tenho procurado naquelas discotecas de revenda, mas nada. Eu quero-o…muito!!!!! (para cúmulo, o meu tio, que não foi ao Restelo, tem o raio do disco. Raios!!!)



Entretanto, quando não estou a ouvir o disco do meu tio (buahh), oiço Beck. The Information é muito bom. É melhor que o anterior (mas não é melhor que o Mutations). Tem músicas muito boas e o álbum é bastante homogéneo. Gostei mesmo muito. Entretanto, numa escolha perfeitamente errada, ouvi os the Books, no álbum Lost and Safe, e sinceramente detestei. A palavra é mesmo essa, detestei. Mas para acabar em beleza, deixo aqui Nausea, de Beck.


Beck, The Information, Nausea

quinta-feira, novembro 09, 2006

Música do momento / Música na memória

Esta é a música que tem estado a rodar constantemente no meu computador. Interpol, PDA. O refrão vem-me constantemente à cabeça a passo o dia a cantarolar. Há algum tempo voltei a ouvir o álbum e esta música ficou-me na cabeça. Na última semana dava por mim a cantar o refrão. Lógico…tive que ir buscar o Cd e pôr-me a ouvir em quantidades perfeitamente loucas. É a minha música do momento.


Interpol, Turn on the Bright Lights, PDA



Esta música é uma das melhores memórias de um belo e inesquecível concerto no CCB, há mais de dois anos. Ouvi-a ontem por mero acaso e hoje já a estou a meter aqui no blog. A calma do teledisco (a tempestade e o fumo do tabaco estão sublimes), a beleza da letra, o piano, a voz de Nick Cave e a recordação do concerto tornam mágicos estes 4 minutos. Para ver muitas, mas muitas, muitas, muitas, muitas vezes.


Nick Cave, No More Shall We Part, Love Letter


Ps- "Presumo que haja pessoas que não sentem nada ao ouvir esta música. Presumo que sim, eu é que não as quero conhecer"... Alguém no Youtube escreveu isto. Eu subscrevo totalmente.

Quinta-feira (...ãh?)

No princípio existia uma enorme gota de leite.
Então chegou Doondari e criou a pedra.
A pedra criou o ferro;
E o ferro criou o fogo;
E o fogo criou a água;
E a água criou o ar.
Então Doondari desceu pela segunda vez.
E moldou-os num homem,
Mas o homem era orgulhoso.
Então Doondari criou a cegueira e a cegueira derrotou o homem.
Mas quando a cegueira se tornou demasiado orgulhosa,
Doondari criou o sono, e o sono derrotou a cegueira;
Mas quando o sono se tornou demasiado orgulhoso, Doondari criou a preocupação, e a preocupação derrotou o sono;
Mas quando a preocupação se tornou demasiado orgulhosa,
Doondari criou a morte e a morte derrotou a preocupação.
Quando a morte se tornou demasiado orgulhosa,
Doondari desceu pela terceira vez.
E ele veio como Gueno, o Eterno,
E Gueno derrotou a morte.
(Mali, Fulani; Mito da Criação)

quarta-feira, novembro 08, 2006

È pá…eles são muitos e bons.

I’m From Barcelona. Banda sueca com mais elementos que às mães. São divertidos, tem um som directo que, logo na primeira música, fica na cabeça. Gostei muito e aqui deixo, não a melhor música do álbum (não havia teledisco), mas a música que havia e que afirma que eles, realmente, são de Barcelona.


I’m From Barcelona, Let me Introduce My Friends, We’re from Barcelona



Entretanto também ouvi Hush, álbum A Lifetime. É engraçadinho. Confesso que pensei que não ia gostar, mas acabei por uma música (If You Go breaking My Heart) para o Mp3 e tudo.

terça-feira, novembro 07, 2006

Guilty Pleasure


Verne, Júlio Verne. Agora acabei de ler Um Capitão de Quinze Anos (infelizmente o meu livro não tem a capa acima colocada). É um livro à Verne: tem enormes descrições que nada têm a ver com o livro (sobre insectos, barcos e rotas marítimas, descobridores ingleses e franceses….), incorrecções históricas sobre a escravatura portuguesa em África (prontamente corrigidas pelo tradutor, em tom irritado) mas…já não se encontram livros sobre honra, coragem e amizade assim. Se calhar, com esta idade, já não devia andar a ler Verne, mas é mesmo um guilty pleasure. Quem mais trata os maus das historias por, e passo a citar, “esses grandes marotos”. Marotos?!?! É lindo.


Ps – acho que estou a ser perseguido por maus que se deslocam em carrinhas da Dilofar. Não passa um dia sem que veja o raio de uma dilofar e, cúmulo dos cúmulos, há dias em que vejo três ou quatro carrinhas destas pelo espelho retrovisor (e não é sempre a mesma, elas viram para locais diferentes…mas depois aparece logo outra!!!!). Estranho, muito estranho….

segunda-feira, novembro 06, 2006

Mi-Mi-Miccoli (que espectáculo pá......)




Ps – a pena de morte, na América ou no Iraque, é sempre um erro.

domingo, novembro 05, 2006

Grandes...ENORMES!!!!!

Os Gato Fedorento: colocar o David Fonseca a cantar o afinal havia outra em inglês, como After all there was another, e por uma claque a gritar (à lá SLB....) : ninguém pára o aborto, ninguém pára o aborto, óóóéééóóóó....bravo, são grandes!!!

A minha avó!!!! "O Karagounis é igual à Dina Aguiar".... juro que não percebi, mas também não interessa!!!! É daquelas frases que ficam... ...ÉS ENORME!!!!!!!

Livro e filme

Livro....A Igreja das Meninas Mortas, de Stephen Dobyns, há que dizer que há sempre uma primeira vez. E este foi o primeiro policial/romance negro que li onde não há interrogatórios, onde há capítulos sem diálogos e onde a personagem central não é alguém que anda a tentar descobrir algo. Isto obriga a trama a tornar-se mais complexa, assim como obriga a uma melhor definição das personagens e do ambiente na cidade. Acaba por ser bem interessante esta mudança porque os policiais, por vezes, tendem a cair no mesmo. É muito engraçado.



Filme…Meryl Streep vale o bilhete. É uma comédia que tenta criar pensamentos atrás dos sorrisos. O filme começa muito bem mas, mais ou menos a meio, começa a perder gás e fica muito morno. É mais curioso que engraçado. Mas Streep é que vale a pena. O tom de voz está brilhantemente apanhado, a mistura entre contenção, autoridade em tom gélido e cortante está magistral. A forma como olha, como anda, como consegue dar uma imagem frágil na cena é que é suposto ser frágil é de quem sabe. E ela sabe muito. O filme é curioso… ela é magistral.

quinta-feira, novembro 02, 2006

É quinta-feira

A bomba vai explodir no bar às treze e vinte.
São neste momento treze e dezasseis.
Alguns conseguem ainda entrar,
alguns sair.

O terrorista passou já para o outro lado da rua.
A esta distância ficará livre de perigo
e, quanto a vista, é como no cinema:

Uma mulher de casaco amarelo…entra.
Um homem de óculos escuros…sai
Rapazes de jeans…conversam
Treze horas, dezassete minutos e quatro segundos
Aquele baixinho tem sorte e senta-se na vespa,
mais um tipo alto que entra

Treze horas, dezassete minutos e quarenta segundos
Passa uma moça de fita verde nos cabelos.
Só que o autocarro oculta-a.

Treze e dezoito.
A rapariga desapareceu.
Se foi bastante estúpida para entrar ou não
isso se saberá pelas notícias.

Treze e dezanove.
Parece que ninguém entra.
Há porém, um careca gordo que sai.
Mas olha, parece que procura algo nos bolsos,
faltam treze segundos para as treze e vinte
e ele volta a entrar em busca das luvas que perdeu.

São treze e vinte.
Como o tempo voa.
Deve ser agora.
Ainda não.
Sim, é agora.
A bomba…explode
(Wislawa Szymborska, Paisagem com Grão de Areia, O terrorista...olha)

quarta-feira, novembro 01, 2006

3-0

É sempre bonito e é de português de gema. É de quem sabe receber. Eles deram-nos 3…nós repetimos a delicadeza e toma lá 3 também. Ficou bem, foi bonito…e este bem receber ainda ajuda no turismo.

Só uma palavra para o fabuloso ambiente dentro e fora do estádio. Os adeptos do Celtic são espectaculares. Estava à porta do Colombo e ouviam-se cantar de dentro do estádio. Muito bom. Já tinha experiência com irlandeses e ingleses. Há muito tempo vi este mesmo Celtic no velhinho Alvalade com a minha irmã e tivemos uma bela conversa com um escocês velhote que ficou intrigadíssimo com a seguinte questão: como é que nós, lisboetas, escolhíamos ser do Benfica ou do Sporting (eu benfiquista e a minha irmã lagarta)? Lá, em Glasgow, era mais fácil a escolha (católicos = Celtic, protestantes = Rangers). Mas foi há muito tempo e não me lembrava bem. Agora ficou a certeza, os adeptos escoceses e irlandeses são óptimos sem causarem chatices. Os ingleses são bons mas mais provocadores.

Óptima jornada para o Benfica (com a derrota do Manchester) …mas contínuo a achar que é a Taça UEFA que nos aguarda (e não só ao Benfica….a Portugal em peso!!!....sim, eu sei, sou um homem de pouquíssima fé).

Anderson, tenho uma coisa para te dizer.


Por isto : “Maninhos, paizinhos e vovozinhos. Gostava muito de estar aí, junto com vocês. Esta é uma partida muito importante para todos nós e todos vocês sabem que temos de ganhar. Por mim, por vocês, por aqueles que ficaram cá, pela nossa equipa, pelo nosso clube. Estarei aqui mas a torcer muito por vocês. Fiquem com a certeza de que estarei aí, junto com vocês, em espírito. Muito e muito obrigado por estarem a ajudar a formar este homem, que sou eu. Maninhos, paizinhos e vovozinhos: tragam de volta uma vitória.E atenção, se eu escrever alguma coisa errada não é para folgar em mim, heim?” (Carta de Anderson aos colegas que vão jogar hoje em Hamburgo);

por isto “clima de incitamento ao ódio e pela violência do Benfica” (Miguel Sousa Tavares);

por isto “tive uma premonição que o Anderson se ia magoar” (Jesualdo Ferreira);

e por isto: “por quererem eliminar do jogo o futebol espectáculo de forma premeditada” (SAD do FC Porto…)...


quero-te só dizer uma coisa: BEM FEITA!!!!!

Filmito e música do catano


O Sentinela, Douglas e Sutherland fazem o filme. Eva Longoria anda por ali e é paga para ser bonita no ecrã. O filme é muito sensaborão. Tem uma cena muito boa de discussão entre os dois actores do filme e depois volta ao marasmo. Sutherland é muito bom quando se cola a Jack Bauer, contudo, parece-me mal ele ter feito um filme em que é dos Serviços Secretos enquanto faz de Jack Bauer na série 24. Está aqui está a ser actor de “um só papel”. Mas pronto, são duas horas que se vão e no fim segue-se com a vidinha como se nada fosse. E isso não é muito bom, pois não?



Metallica com a orquestra sinfónica de São Francisco. Adoro esta música e a orquestração por trás está perfeita. Em mais nenhuma música do álbum a coordenação entre o som Metallica e a orquestra é tão perfeita. Normalmente, quando oiço a música, faço sempre dois ou três repeats. Gosto mesmo muito!!!!


Metallica, No Leaf Clover, S&M